Música

Belchior - Nascido em Sobral (1946), mudou-se para Fortaleza no início dos anos 60. Estudou Medicina, e ensinava Biologia no Colégio Júlia Jorge, no bairro São Gerardo. Abandonou a faculdade e mudou-se para São Paulo, onde começou sua carreira musical em 1971, com o lançamento do compacto "Na Hora do Almoço". Desde então lançou pelo menos mais 15 álbuns solo, tendo ainda várias parceiras musicais. Teve seus grandes sucessos interpretados por vários artistas da MPB, incluindo Elis Regina (Mucuripe e Como nossos pais), Vanusa (Paralelas) e Jair Rodrigues (Galos, noites e quintais), Engenheiros do Hawaii (Alucinação), Los Hermanos e Cidade Negra (A Palo Seco).

Calé Alencar - Fortalezense, criou-se em Juazeiro do Norte. Começou a carreia no fim dos anos 80, com os LP's "Estação do Trem Imaginário" e "Um pé em cada porto". Em meados dos anos 90, passou a se interessar pelo Maracatu, onde passou a atuar a partir de 1995. Compôs loas para os maracatus Az de Ouro, Nação Baobab, Vozes da África e em 2004, fundou o maracatu Nação Fortaleza, ao qual tem se dedicado. Desde então, lançou 5 discos com loas e hinos de maracatu, um dos quais está disponível em seu prórpio blog (http://www.semoara.blogspot.com/).




Ednardo - Nascido em Fortaleza, ganhou prestígio na carreira artística com o prêmio do Festival Nordestino da Música Brasileira (1970). Ednardo teve importantíssimo papel no cenário musical cearense, com grande contribuição para a promoção da cultura, musica e artistas do Ceará. Em 1979, em plena Ditadura Militar, foi protagonista do movimento Massafeira, que reuniu vários artistas cearenses, inclusive o poeta sertanejo Patativa do Assaré, no Teatro José de Alencar, onde foi gravado o disco homônimo. Sua música é conhecida em vários países. Possui 15 discos lançados, várias compilações, e ainda trilhas sonoras para cinema e teatro. Suas músicas foram regravadas por mais de 50 intérpretes, como Elba Ramalho, Ney Matogrosso, Amelinha, Nonato Luiz, dentre outros.

Fagner - Nascido no município de Orós, Fagner canta desde criança. Com apenas 5 anos recebeu sua primeira premiação, pela Ceará Rádio Clube. Começou a carreira musical em 1973, possuindo atualmente 28 álbuns. Possui parcerias com Chico Buarque, Belchior, Ney Matogrosso, Zé Ramalho, Dominguinhos, Gonzaguinha, Luiz Gonzaga, Patativa do Assaré, Zeca Baleiro, Cazuza, dentre outros. Site Oficial: http://www.fagner.com.br.




Irmãos Anicete - Os Irmãos Anicete formam uma das mais conhecidas Bandas Cabaçais do nordeste. De um modo geral, as bandas cabaçais são conjuntos musicais de percussão e sopro típicas dos sertões de Ceará, Paraíba e Pernambuco, especialmente na região do Cariri. São geralmente compostas por dois tambores, dois pífanos (pifes) e pratos orquestrais. Alguns estudiosos (e.g. Costa, 1999) acreditam que a tradição das bandas cabaçais nordestinas deriva de romarias portuguesas acompanhadas por música. No entanto, diferenciam-se delas pela musicalidade e por apresentar instrumentos de origem africana (zabumbas) e indígenas (pífanos). Essas bandas estão fortemente relacionadas com as tradições de Entronização e Renovação do Sagrado Coração de Jesus. A história dos Irmãos Anicete começou no Crato, no fim do século XIX, com José Lourenço da Silva, cujo apelido era "anicete". Ainda criança, José juntou-se a outros companheiros para apresentar sua banda cabaçal. José faceleu aos 104, mas deixou a semente em seus filhos, que desde pequenos, acompanhavam a confecção artesanal dos instrumentos e as apresentações do pai. Depois da morte do pai, os filhos, agricultores, continuaram a banda, usando o nome de "Irmãos Anicete". Mais recentemente, a banda recebeu integrantes de fora da família, mas ainda possui 2 filhos de José: Antônio e Raimundo. Além dos eventos religiosos da região do Cariri, os irmãos Anicete apresentam-se em vários eventos musicais e culturais em todo o Brasil.


Manassés de Souza - Natural de Maranguape, iniciou a carreira musical com apenas 12 anos de idade, com o Grupo "Dissonantes". Excelentíssimo instrumentista, toca violão, viola, bandolim, violão de 12 cordas, dentre outros instrumentos - Seu forte é a Música Instrumental. Com 17 anos foi com Rodger Rogério, Téti e outros músicos cearenses para São Paulo, em busca de oportunidades no cenário musical. Como músico de estúdio, tocou com Chico Buarque, Elba Ramalho, Fagner, Ednardo, Zé Ramalho, Nara Leão, Gal Costa, Moraes Moreira, dentre outros. Atualmente, em carreira solo, dedica-se principalmente à música instrumental. Seus discos podem ser encontrados na Livraria Oboé (Shoping Center Um).


Pessoal do Ceará - Ao contrário do que muitos pensam, "Pessoal do Ceará" não remete apenas a Ednardo, Rodger Rogério e Teti. "Pessoal do Ceará" é como ficou conhecida toda uma geração de músicos, cineastas e artistas fortalezenses que protagonizaram o cenário musical da cidade por volta dos anos 1970, dentre os quais se pode citar: Petrúcio Maia, Cirino, Fausto Nilo, Rodger Rogério, Téti, Ednardo, Fagner, Nonato Luiz, Belchior, Ricardo Bezerra, Dedé Evangelista, Francis Vale, Manassés, dentre outros. Muitos deles eram jovens vindos do interior do estado (Sobral, Quixeramobim, Quixadá) para estudar ou tentar a vida em Fortaleza. O Pessoal do Ceará tinha uma nova proposta musical, diferente da geração anterior (Lauro Maia, Humberto Teixeira, Quatro Azes e um Coringa, vocalistas tropicais, dentre outros). Em plena Ditadura Militar, encontraram na UFC um cenário musical e intelectualmente aberto para sua expressão musical. Participaram de vário festivais musicais, se aventuraram pelo Sudeste e lançaram o primeiro disco em 1972: "Meu corpo, minha embalagem, todo gasto na viagem". Alguns consagraram seus nomes na MPB, e passaram a seguir suas trajetórias independentemente (como Fagner, Belchior e Ednardo). Outros, como Fausto Nilo, Dedé Evangelista, Rodger dedicaram-se à formação acadêmica ou a outros ramos profissionais, voltando eventualmente a fazer parcerias musicais. Com sua atitude e suas composições originais, o Pessoal do Ceará teve importantíssima contribuição para a música cearense e mesmo para a MPB. Mesmo aqueles que não se dedicaram à vida artística propriamente dita, contribuíram de diversas outras formas, como Rodger Rogério, que foi um dos fundadores da rádio universitária FM 107,9, e Fagner, que dirigiu o selo "Epic" da gravador CBS, responsável pelo lançamento de Amelinha, Zé Ramalho e Robertinho do Recife no cenários musical brasileiro.


Quinteto Agreste - O grupo se formou em meados dos anos 70. Lançaram um compacto em 1980 e dois LP's: "Sol Maior" (1984) e "Pássaro de Luz" (1986). Em 2003, após 14 anos separados, Mário Mesquita, Tarcísio Lima e Arlindo Araújo re-estruturaram o conjunto e retomaram as atividades musicais com o CD "Caminhando Sempre", que possui regravações e musicas inéditas. Possuem estilo único, com arranjos elaborados e um incrível jogo de vozes, mesclando elementos da musicalidade e da cultura popular nordestina.


FONTES:

ALVAREZ, K. Calé Alencar - Personagem da Cultura Cearense, 2008. Disponível em http://musicadoceara.blogspot.com/2008/07/cal-alencar-personagem-da-cultura.html, Acesso em 12 Out. 2011.

COSTA, P.A.B. Anicete: Quando os índios dançam, Fortaleza: UFC, 1999, 124 p.

PIMENTEL, M. Terral de Sonhos: O cearense na Música Popular Brasileira, 2ª ed. Fortaleza: BNB, 2006, 204 p.

Portal do Maracatu Nação Fortaleza, Endereço: http://www.batoque.com/fortaleza, Acesso em 12 Out. 2011.

Portal Oficial de Ednardo. Disponível em http://www.ednardo.art.br, 1999. Acesso em 12 Out. 2011.

RÁDIO UNIVERSITÁRIA FM 107,9, Manassés, Entrevista em Áudio gravada em 2008, Disponível em http://www.oktiva.net/oktiva.net/2213/nota/99813, Acesso em 12 Out. 2011.

ROGÉRIO, P. Pessoal do Ceará: habitus e campo musical na década de 1970, Fortaleza: Edições UFC, 2008, 188 p.