Sobre minha Terra, a terra do Sol


Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
[...]
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Gonçalves Dias (Canção do Exílio)

Padaria Espiritual

No final do século XIX, nos cafés da Praça do Ferreira e do Passeio Público, palco da boêmia de Fortaleza, jovens intelectuais da cidade reuniam-se para discutir arte, literatura, música e política. Um desses grupos, composto por escritores, pintores e músicos, cansados da pobreza cultural da sociedade, que na época valorizava apenas o que vinha da Europa e desprezava a produção nacional e popular, decidiram fundar uma associação cultural. Uma agremiação através da qual poderiam criticar a hipocrisia da sociedade fortalezense e ao mesmo tempo exaltar a produção artística nacional.

Assim, em 30 de maio de 1892 foi fundada a Padaria Espiritual. No século XIX, era comum entre os escritores cearenses a organização em associações literárias, como os Oiteiros (1813), a Academia Francesa do Ceará (1873) e o Centro Literário, que reunia grandes escritores como Juvenal Galeno, Farias Brito, Oliveira Paiva e Justiniano de Serpa. A Padaria Espiritual seguiu essa tendência, embora fundamentalmente diferente. As demais associações eram tradicionalmente formados por membros da elite, sendo instituições sérias, rígidas e solenes, ao passo que a Padaria Espiritual era formada principalmente por intelectuais boêmios e cidadãos comuns, sendo marcada pelo humor, a ironia e a irreverência.

Foto dos membros da Padaria Espiritual (Acervo do M.I.S.). No centro da Foto,
sentado à esquerda da mesa, o poeta Antônio Sales. Do outro lado da Mesa,
Waldemiro Cavalcante. Em pé, entre os dois, Rodolfo Teófilo. Á esquerda de
Rodolfo Teófilo, o escritor José Nova, e na estrema esquerda, Papi Júnior.

Os membros, entre eles, Antônio Sales (fundador), Rodolfo Teófilo, Juvenal Galeno, Adolfo Caminha, Lopes Filho, Eduardo Sabóia, Lívio Barreto, Antônio de Castro, José Carvalho, Álvaro Martins e Henrique Jorge, se auto-denominavam "padeiros" e tinham a pretensão de fornecer o "pão do espírito" ou "pão cultural" aos sócios e ao povo em geral. Os padeiros reuniam-se todos os dias (com exceção de 5ª feira) na Rua Formosa (atual Rua Barão do Rio Branco.), no Café Java, ou nas casas dos próprios padeiros para editar seu periódico ("O Pão"). Todos adotavam pseudônimos de origem indígena ou sertaneja (como "Cariri Baraúna", pseudônimo de José Carvalho) para escrever os artigos do jornal.

Nele, os padeiros faziam suas paródias, suas críticas, divulgavam suas obras, textos de outros escritores cearenses e cantigas e versos do folclore cearense. Era um folheto simples, do tamanho de uma folha A4, devido às restrições orçamentárias da Padaria, que não contava com quaisquer subsídios. Ao todo teve 36 edições.

Foi um movimento inovador, modernista e nacionalista que antecedeu a Semana de Arte Moderna (1922) e prenunciou muitas de suas bandeiras, como o repúdio ao uso de palavras estrangeiras e a valorização da fauna e da flora brasileiros. O artigo 14 do regimento da Padaria, por exemplo, que proíbe aos padeiros o uso de "palavras desconhecidas da língua vernácula", é uma resposta ao uso de palavras de outras línguas (principalmente a francesa), em estabelecimentos comerciais, em produtos e até na literatura. Já o artigo 21 proíbe o uso, em poemas, romances, pinturas e músicas, de elementos da flora ou da fauna estrangeira, o que era comum na época, devido à influência européia. Os padeiros utilizavam apenas bichos e plantas brasileiros, conhecidos pelo povo.

A Padaria espiritual acabou em 1898 e não teve grande repercussão nacional, mas deixou um riquíssimo legado de romances, poesias e outras obras dos padeiros e influenciou a criação da Academia Cearense de Letras (1894), a primeira Academia de Letras do Brasil. Atualmente, a Academia Cearense de Letras preserva retratos de cada membro da Padaria Espiritual, pintados à óleo por Otacílio de Azevedo.

Estatuto da Padaria Espiritual


1) Fica organizada, nesta cidade de Fortaleza, capital da "Terra da Luz", antigo Siará Grande, uma sociedade de rapazes de Letras e Artes, denominada Padaria Espiritual, cujo fim é fornecer pão de espírito aos sócios em particular, e aos povos, em geral.
2) A Padaria Espiritual se comporá de um Padeiro-Mór (presidente), de dois Forneiros (secretários), de um Gaveta (tesoureiro), de um Guarda-livros na acepção intrínseca da palavra (bibliotecário), de um Investigador das Coisas e das Gentes, que se chamará Olho da Providência, e demais Amassadores (sócios). Todos os sócios terão a denominação geral de Padeiros.
3) Fica limitado em vinte o número de sócios, inclusive a Diretoria, podendo-se, porém, admitir sócios honorários que se denominarão Padeiros-livres.
4) Depois da instalação da Padaria, só será admitido quem exibir uma peça literária ou qualquer outro trabalho artístico que for julgado decente pela maioria.
5) Haverá um livro especial para registrar-se o nome comum e o nome de guerra da cada Padeiro, sua naturalidade, estado, filiação e profissão a fim de poupar-se à Posteridade o trabalho dessas indagações.
6) Todos os Padeiros terão um nome de guerra único, pelo qual serão tratados e do qual poderão usar no exercício de suas árduas e humanitárias funções.
7) O distintivo da Padaria Espiritual será uma haste de trigo cruzada de uma pena, distintivo que será gravado na respectiva bandeira, que terá as cores nacionais.
8) As fornadas (sessões) se realizarão diariamente, à noite, à excepção das quintas-feiras, e aos domingos, ao meio-dia.
9) Durante as fornadas, os Padeiros farão a leitura de produções originais e inéditas, de quaisquer peças literárias que encontrarem na imprensa nacional ou estrangeira e falarão sobre as obras que lerem.
10) Far-se-ão dissertações biográficas acerca de sábios, poetas, artistas e literatos, a começar pelos nacionais, para o que se organizará uma lista, na qual serão designados, com a precisa antecedência, o dissertador e a vítima. Também se farão dissertações sobre datas nacionais ou estrangeiras.
11) Essas dissertações serão feitas em palestras, sendo proibido o tom oratório, sob pena de vaia.
12) Haverá um livro em que se registrará o resultado das fornadas com o maior laconismo possível, assinando todos os Padeiros presentes.
13) As despesas necessárias serão feitas mediante finta passada pelo Gaveta, que apresentará conta do dinheiro recebido e despendido.
14) E proibido o uso de palavras estranhas à língua vernácula, sendo, porém, permitido o emprego dos neologismos do Dr. Castro Lopes.
15) Os Padeiros serão obrigados a comparecer à fornada, de flor à lapela, qualquer que seja a flor, com excepção da de chichá.
16) Aquele que durante uma sessão não disser uma pilhéria de espírito, pelo menos, fica obrigado a pagar no sábado café para todos os colegas. Quem disser uma pilhéria superiormente fina, pode ser dispensado da multa da semana seguinte.
17) O Padeiro que for pegado em flagrante delito de plagio, falado ou escrito, pagará café e charutos para todos os colegas. 
18) Todos os Padeiros serão obrigados a defender seus colegas da agressão de qualquer cidadão ignáro e a trabalhar, com todas as forças, pelo bem estar mútuo.
19) É proibido fazer qualquer referência à rosa de Maiherbe e escrever nas folhas mais ou menos perfumadas dos álbuns.
20) Durante as fornadas, é permitido ter o chapéu na cabeça, exceto quando se falar em Homero, Shakespeare, Dante, Hugo, Goethe, Camões e José de Alencar porque, então, todos se descobrirão.
21) Será julgada indigna de publicidade qualquer peça literária em que se falar de animais ou plantas estranhos à Fauna e à Flora brasileiras, como: cotovia, olmeiro, rouxinol, carvalho etc.
22) Será dada a alcunha de "medonho" a todo sujeito que atentar publicamente contra o bom senso e o bom gosto artísticos.
23) Será preferível que os poetas da "Padaria" externem suas idéias em versos.
24) Trabalhar-se-á por organizar uma biblioteca, empregando-se para isso todos os meios lícitos e ilícitos.
25) Dirigir-se-á um apelo a todos os jornais do mundo, solicitando a remessa dos mesmos à biblioteca da "Padaria".
26) São considerados, desde já, inimigos naturais dos Padeiros - o Clero, os alfaiates e a polícia. Nenhum Padeiro deve perder ocasião de patentear seu desagrado a essa gente.
27) Será registrado o fato de aparecer algum Padeiro com colarinho de nitidez e alvura contestáveis.
28) Será punido com expulsão imediata e sem apelo o Padeiro que recitar ao piano.
29) Organizar-se-á um calendário com os nomes de todos os grandes homens mortos, Haverá uma pedra para se escrever o nome do Santo do dia, nome que também será escrito na Ata, em seguida à data respectiva.
30) A "Avenida Caio Prado" é considerada a mais útil e a mais civilizada das instituições que felizmente nos regem, e, por isso, ficará sob o patrocínio da Padaria.
31) Encarregar-se-á um dos Padeiros de escrever uma monografia a respeito do incansável educador Professor Sobreira e suas obras.
32) A "Padaria" representará ao Governo do Estado contra o atual horário da Biblioteca Pública e indicará um outro mais consoante às necessidades dos famintos de idéias.
33) Nomear-se-ão comissões para apresentarem relatórios sobre os estabelecimentos de instrução pública e particular da Capital relatórios que serão publicados.
34) A Padaria Espiritual obriga-se a organizar, dentro do mais breve prazo possível, um Cancioneiro Popular, genuinamente cearense.
35) Logo que estejam montados todos os maquinismos, a Padaria publicará um jornal que, naturalmente, se chamará O Pão.
36) A Padaria tratará de angariar documentos para um livro contendo as aventuras do célebre e extraordinário Padre Verdeixa.
37) Publicar-se-á , no começo de cada ano, um almanaque ilustrado do Ceará contendo indicações uteis e inúteis, primores literários e anúncios de bacalhau.
38) A Padaria terá correspondentes em todas as capitais dos países civilizados, escolhendo-se para isso literatos de primeira água.
39) As mulheres, como entes frágeis que são, merecerão todo o nosso apoio excetuadas: as fumistas, as freiras e as professoras ignorantes.
40) A Padaria desejaria muito criar aulas noturnas para a infância desvalida; mas, como não tem tempo para isso, trabalhará por tornar obrigatório a instrução pública primada.
41) A Padaria declara desde já guerra de morte ao bendegó do "Cassino".
42) É expressamente proibido aos Padeiros receberem cartões de troco dos que atualmente se emitem nesta Capital.
43) No aniversário natalício dos Padeiros, ser-lhes-á oferecida uma refeição pelos colegas.
44) A Padaria declara embirrar solenemente com a secção "Para matar o tempo" do jornal "A Republica", e, assim, se dirigirá à redação desse jornal, pedindo para acabar com a mesma secção.
45) Empregar-se-ão todos os meios de compelir Mané Coco a terminar o serviço da "Avenida Ferreira".
46) O Padeiro que, por infelicidade, tiver um vizinho que aprenda clarineta, pistom ou qualquer outro instrumento irritante, dará parte à Padaria que trabalhará para pôr termo a semelhante suplício.
47) Pugnar-se-á pelo aformoseamento do Parque da Liberdade, e pela boa conservação da cidade, em geral.
48) Independente das disposições contidas nos artigos precedentes, a Padaria tomará a iniciativa de qualquer questão emergente que entenda com a Arte, com o bom Gosto, com o Progresso e com a Dignidade Humana.

     

    Amassado e assado na "Padaria Espiritual", aos 30 de Maio de 1892.


FONTES: 

BARROSO, F. (2006) Padaria Espiritual, Documentário 24'.

FEITOSA, S. Academia Cearense de Letras, Disponível em: http://www.revista.agulha.nom.br/acl.html, Acesso em 12 Out. 2011.

Liceu do Ceará


Sede do Liceu construída em 1894 na Praça dos Voluntários,
Centro de Fortaleza. Desenho de Gustavo Barroso, ex-liceísta.


Liceu vem do grego lykeion, escola filosófica com ênfase para ciências naturais criada por Aristóteles em 336 a.C., rival da Acadêmica Platônica. O Liceu de Aristóteles se tornou um modelo de ensino do antigo curso de humanidades, de modo a inspirar o estabelecimento de várias instituições de ensino,  principalmente o ensino secundário e o profissionalizante, que em justa homenagem, recebem o nome de Liceus.

O Liceu do Ceará é o terceiro colégio mais antigo do Brasil e, mesmo tendo passado por várias crises, no ano de 2005, comemorou seus 160 anos ininterruptos de funcionamento.  Foi criado durante o império (século XIX), assim como alguns colégios contemporâneos de outras províncias, inspirado nos moldes do Colégio Dom Pedro II, uma instiuição-modelo de ensino criada em 1837 no Rio de Janeiro, então capital do império. No intuito de agregar cadeiras já existentes e facilitar a inspeção do ensino público no Ceará, em 15 de julho de 1844, o presidente da província, Marechal José Maria da Silva Bittencourt sancionou a lei n.º 304, criando oficialmente o Liceu:

Art. 1º - Fica creado nesta capital um lycêo que se comporá das cadeiras seguintes: phylosophia racional e moral; rethorica e poética; arithmetica; geometria; trigonometria; geografia, e historia; latim, francez e inglez.

As atividades escolares tiveram início em 19 de outubro de 1845, com 98 matrículas, sob direção do Dr. Thomas Pompeu de Souza Brasil, o Senador Pompeu. O curso secundário tinha duração de 6 anos e, de início, as aulas eram ministradas nas próprias casas dos professores. Somente em 1894, no governo do Coronel Bezerril Fontenele, foi inaugurada a sede própria do Liceu (Figura abaixo), à Praça dos Voluntários, no centro de Fortaleza.

Edifício do Liceu na praça dos voluntários (já demolido),
onde hoje se encontra o prédio da Polícia Civil. Foto do
acervo do Museu da Imagem e do Som do Ceará (MIS).
No tempo em que o Liceu foi criado, Fortaleza era uma pequena cidade com pouco menos que 5.000 habitantes, resumindo-se a poucas ruas no centro da cidade. Nessa época, os colégios eram privilégio da elite. Não apenas porque os colégios eram poucos, mas também pelas despesas que representavam a uma sociedade pobre em recursos. Além disso, na época era comum em colégios públicos a cobrança de taxas, como ocorria inclusive no Colégio Dom Pedro II, que reservava poucas vagas para pessoas que não tinham condições de pagar.

Com o crescimento da cidade e o surgimento de novos colégios, como a Escola Normal, o Colégio São João, Colégio Fortaleza, o Cearense, São José, entre outros, o ensino secundário foi se democratizando em Fortaleza, e inclusive no Liceu, que no século XX, passou a ter maior abertura para alunos pobres e oferecer o ensino misto, pois durante muito tempo foi um educandário estritamente masculino. As moças estudavam na Escola Normal.

Todos os ex-liceístas que estudaram até a década de 50 lembram o rigor da disciplina no Colégio. Os alunos só entravam no colégio de fardamento completo: calça, camisa com os 7 botões fechados e quepe. Numa época em que os costumes da sociedade eram muito mais rígidos, a disciplina marcou profundamente o Liceu. Qualquer deslize era motivo de punição.

Para ajudar o diretor e os professores no controle da disciplina, existiam os bedéis (inspetores), que fiscalizavam o fardamento dos alunos na entrada do colégio, faziam a chamada em sala e circulavam pelo colégio observando o comportamento dos alunos. Blanchard Girão, no seu livro “O Liceu e o Bonde” relata que os bedéis, extremamente fiéis, delatavam as travessuras dos alunos para o diretor até fora do colégio; e quando não era mais possível suspender um aluno, por ter feito travessuras depois das provas finais, a suspensão vinha no início do ano letivo seguinte.

Mesmo toda a disciplina da época não conseguiu anular as criancices dos alunos, e até os mais ilustres ex-liceístas cometeram suas travessuras: aplicaram trotes, fugiram do colégio para matar aula, aprontaram com os bedéis, professores e outros alunos, fizeram pichações, e reuniram-se para fumar no banheiro, como registra Gustavo Barroso, em seu livro "Liceu do Ceará".

Os professores do Liceu eram os melhores do estado e, às vezes, até de fora, pois para ser professor catedrático do Liceu era necessário passar por um rigoroso concurso público, tendo que defender tese e mostrar todo seu conhecimento e integridade moral. Além disso, os professores trabalhavam motivados: eram amplamente respeitados  e admirados pelos alunos e o resto da sociedade. Ser professor era uma das mais nobres profissões e os salários dos professores equiparavam-se aos de desembargadores.

A escola funcionava e a educação realmente acontecia pois os professores eram bons, trabalhavam motivados e os alunos tinham interesse em aprender. Esses recebiam uma formação multidimensional. Além das aulas teóricas de português, matemática, história, biologia, etc, tinham aulas de música, praticavam esportes olímpicos, tinham formação política extracurricular e um grande crescimento pessoal devido à convivência com alunos de diferentes classes sociais.

Como diz Blanchard Girão, o Liceu era um espaço de politização e mobilização estudantil, uma vez que os professores já admirados elos alunos, tinham total liberdade para discutir com os alunos os assuntos mais polêmicos da atualidade. O Liceu formava então alunos politizados e também atuantes. Era comum ver os alunos do Liceu em passeatas agitadas pelo centro de Fortaleza, protestando contra o aumento dos salários dos deputados estaduais, à favor da anistia de presos políticos ou contra o nazismo, durante a segunda guerra mundial:

Alunos do Liceu na época da II Guerra Mundial (Estado Novo),
em passeata a favor da democracia e contra o fascismo.
Foto do livro “O Liceu e o Bonde” de Blanchard Girão.

Por tudo isso, até a metade do século XX, o Liceu foi o expoente da educação no Ceará. Matricular-se no Liceu era tanto quanto ser aprovado no vestibular. Os alunos tinham orgulho de vestir sua farda. O liceu se projetava em todos os planos: tinha o melhor corpo docente, os melhores estudantes, o maior índice de aprovados em vestibulares, campeão de olimpíadas estudantis, vitorioso nas paradas cívicas da Semana da Pátria, a tinha a melhor banda, além de ex-alunos bem sucedidos nas mais diversas profissões no Brasil e no exterior.

Tamanho era o privilégio de estudar no Liceu, que os veteranos rotineiramente aplicavam trotes aos novatos, que eram chamados de bichos-fedorentos, como ilustra Gustavo Barroso, ex-liceísta do início do século XX, no seu livro Liceu do Ceará:

“Não houve bicho fedorento que escapasse totalmente aos trotes dos desalmados veteranos do Liceu. Todos fizeram discursos bestialógicos trepados na margela do cacimbão da praça, em riscos de cair lá dentro. Todos subiram ao cocuruto do chafariz Wallace, para fingir de estatua. Todos se escancharam nos galhos das árvores e fôram cassados a caroços de monguba, como guaribas. Um dia encheram de estrume fresco de cavalo o boné de xadrezinho que eu trazia do colegio e m’o enterraram até as orelhas. Lavei a cabeça, mas o boné ficou imprestavel e teve de ir para o lixo.”

Com toda sua qualidade de formação dos alunos e seu ambiente de erudição, o Liceu produziu inúmeros intelectuais, políticos, escritores, jornalistas, médicos, empresários, desportistas e músicos de projeção nacional e internacional – personagens importantíssimos da história de Fortaleza, do Ceará e do Brasil. Entre eles: Adolfo Bezerra de Menezes, Guilherme de Studart (Barão de Studart), Gustavo Barroso, João Brígido, Clóvis Beviláqua, Eleazar de Carvalho, Raimundo Girão, César Cals de Oliveira, Farias Brito, Plácido Castelo, Perboyre e Silva, Parsífal Barroso, Antônio Girão Barroso, Paes de Andrade, Edson Queiroz, Blanchard Girão, Fausto Nilo e Belchior. Além do “Bando Liceal”, do qual surgiram bandas de ex-alunos como “Quatro azes e um coringa” e os “Vocalistas Tropicais”, que fizeram sucesso em todo Brasil nas décadas de 40 e 50.


Prédio onde o Liceu funciona desde 1937, na praça Gustavo
Barroso (antes, Praça Fernandes Vieira), no bairro de Jacarecanga
Hoje o Liceu é mais um colégio da rede estadual de ensino público. Oferta o curso de Ensino Médio – EM e funciona nos três turnos. Pela manhã e pela tarde, são em média 9 turmas por série (1º, 2º e 3º ano) e duas turmas de pré-vestibular. Pela noite, há 5 turmas de cada série e 6 turmas de pré-vestibular. No total são 30 turmas de manhã, 29 de tarde e 21 de noite. Cada turma possui no máximo 40 ou 60 alunos, dependendo do tamanho da sala. Devido à evasão, no período diurno as turmas possuem em média 40 a 50 alunos, e no período noturno, no qual a evasão é maior, possuem em média 30 a 40 alunos. 

FONTES:
BARROSO, G. A. L. G. D. C. Liceu do Ceará, Rio de Janeiro: Ed. Getulio M. Costa, 1940, 220p.

GIRÃO, B. O Liceu e o Bonde na paisagem sentimental da Fortaleza-província, Fortaleza: Editora ABC Fortaleza, 1997, 300 p.

MENEZES, M. O. T. O Liceu não é mais o mesmo, Monografia de Graduação, Licenciatura em Ciências Biológicas, UFC, Fortaleza, 2007, 46 p.

VIEIRA, S. L. & FARIAS, I. S. de, História da educação no Ceará: sobre promessas fatos e feitos, Fortaleza: Edições Demócrito Rocha, 2002, 400p.

Patrimônio Arquitetônico de Fortaleza



Liceu do Ceará - Sede onde o Colégio Liceu do Ceará funciona desde 1937. O prédio original (inaugurado em 1894) na Praça dos Voluntários, foi demolido para construção do prédio da Polícia Civil.



Esse prédio já foi sede da Escola Normal, da faculdade de Medicina, de odontologia e enfermagem. Situa-se ao lado do Teatro José de Alencar. e hoje, abriga o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.


Praça  José de Alencar - Antiga Praça Marquês de Herval, Entre as Ruas General Sampaio, 24 de Maio, Liberato Barroso e Guilherme Rocha. Fica em frente ao Theatro José de Alencar, e junto com o IPHAN, e a Igreja do Patrocínio, forma um importante conjunto arquitetônico. A estátua localizada no centro da praça é obra de um escultor italiano. Foi construída por iniciativa do jornalista Gilberto Câmara, em comemoração ao centenário do escritor.


Theatro José de Alencar - Inaugurado a 17 de junho de 1910, é composto por uma estrutura metálica importada da escócia (acima), que fica por trás da fachada em estilo neoclássico (abaixo). O salão principal, com quatro andares, possui um palco com elevador. O teatro conta ainda com uma biblioteca, uma galeria de artes e um jardim lateral (projetado pelo paisagista Burle Max). Em 1964 foi tombado como patrimônio histórico nacional pelo IPHAN, constitui um dos mais significativos monumentos artísticos da cidade. Foi restaurado pela última vez entre 1989 e 1991. Situa-se na Praça José de Alencar, s/n.


Casa de Juvenal Galeno - Casa onde residiu o poeta Juvenal Galeno, Rua General Sampaio (próx. ao Theatro José de Alencar).


Faculdade de Direito / Praça da Bandeira


Igreja do Carmo - Surgiu de uma simples capela, construída em 1870. Em 1879, teve sua planta reformulada pelo arquiteto Adolfo Hebster, e foi concluída em 1906. Fica na Praça do Carmo, entre a Av. Duque de Caxias, a rua Barão do Rio Branco, Major Facundo e Clarindo de Queiroz.


Instituto do Ceará - Sede do Instituto, Rua Barão do Rio Branco, em frente à Praça do Carmo.

Museu das Secas - Prédio do Antigo IFOCS. Tombado pelo IPHAN, atualmente encontra-se restaurado. Rua General Sampaio com Pedro Pereira.


Igreja de São Bernardo - Ruas Senador Pompeu com Pedro Pereira.


Praça do Ferreira - A mais tradicional praça de Fortaleza


Farmácia Osvaldo Cruz - Construída em 1934, foi a primeira farmácia de manipulação de Fortaleza, mantém até hoje, sua arquitetura e os móveis originais. Situa-se na Praça do Ferreira, Rua Major Facundo, 576 (Centro).


Palacete Ceará - Inaugurado em 1914, em 1946 passou a ser ocupado pela Caixa Econômica Federal, que o comprou em 1955 e o utiliza até hoje. Localização: Rua Guilherme Rocha, 48. Praça do Ferreira – Centro.


Praça dos Leões - Construída em 1877, oficialmente chama-se Praça General Tibúrcio , em homenagem ao General cearense (foto ao lado), que participou da Guerra do Paraguai. É conhecida popularmente por Praça dos Leões por possuir estátuas de leões em bronze trazidas da França no início do século. Recentemente recebeu uma estátua de bronze de Rachel de Queiroz, sentada em um dos bancos da praça. Situa-se no Cruzamento das ruas São Paulo e Sena Madureira.


Igreja do Rosário - Originou-se de uma pequena capela construída pelos escravos por volta de 1730, tendo passado por várias reformas. Recentemente, ia ser demolida pelo governo de Lúcio Alcântara, mas durante as obras foram achados corpos de escravos, forçando o cancelamento da demolição. Situa-se na Praça dos Leões, ao lado da Academia Cearense de Letras e próximo ao Museu do Ceará.


Palácio da Luz - Localizado na Praça dos Leões, ao lado da Igreja do Rosário, o Palácio da Luz, foi construído no final do século XVIII para servir de residência ao capitão-mor António da Costa Viana. Em 1814 foi adquirido pelo governo imperial e depois ocupado como sede do governo estadual. Atualmente abriga a Academia Cearense de Letras.


Museu do Ceará - O prédio construído entre 1856 e 1871, para abrigar a  Assembléia Legislativa do Estado. Depois que a Assembléia mudou-se, abrigou a Faculdade de Direito, a Biblioteca Pública e a Academia Cearense de Letras. Foi tombado pelo IPHAN e hoje abriga o Museu do Ceará. Possui objetos de grande valor histórico como o livro no qual foi lavrada a abolição dos escravos no Ceará e a bandeira utilizada na Confederação do Equador. Situa-se na Rua São Paulo, 51 (ao lado da Praça dos Leões, no Centro).


Catedral - A antiga Igreja da Sé, concluída em 1854 foi demolida em 1938 para a construção de uma nova catedral. Com seu imponente estilo gótico, a catedral levou 40 anos para ser construída. As obras começaram em 1939 e duraram 40 anos. Tem capacidade para 5.000 pessoas. Situa-se na Rua Sobral, s/n  (Centro).


Paço Municipal - Casarão construído na metade do Século XIX, foi adquirido pelo governo em 1866 e transferido para o bispado em 1892. Funcionou como Paço Municipal entre 1973 e 2001. Seu terreno possui um lindo parque cortado pelo riacho Paejú. Rua São José, por trás da Catedral.


Estação Central João Felipe - Foi construída em 1880. Foi ponto de chegada e partida dos trens que levavam mercadorias e passageiros da capital para o interior e do interior pra capital. Mantém a fachada (em estilo neoclássico) praticamente inalterada e funciona hoje, sob tutela do Metrofor, fazendo linhas para Caucaia e Pacatuba. Fica na Rua João Moreira, em frente a Praça Castro Carreira (Praça da Estação), no Centro.


Passeio Púlbico - No início do século XIX o Passeio Público chamava-se Campo da Pólvora. À partir de 1825, devido ao fuzilamento de participantes da Confederação do Equador (Padre Mororó, Pessoa Anta, Coronel Carapinima, Azevedo Bolão, entre outros), passou a ser conhecido como Praça dos Mártires. Construído no século XIX, em estilo neoclássico, foi importante ponto de lazer da sociedade fortalezense, até a ajardinamento das Praças do Ferreira e Marquês de Herval (atual Praça José de Alencar). A praça, bastante freqüentada pelos membros da Padaria Espiritual, foi reformada nos moldes do Passeio Público do Rio de Janeiro.  Possui várias estátuas de deuses pagãos, um antigo baobá (foto) e um coreto, onde durante muito tempo se apresentou a banda da Polícia. Foi tombada como patrimônio histórico nacional. Situa-se entre as ruas Barão do Rio Branco, Dr. João Moreira e Floriano Peixoto, ao lado da 10ª Região Militar.


Santa Casa - O Hospital da Caridade, concluído em 1857, levou 10 anos para ser construído e só possuía o pavimento térreo. Foi reformado e re-inaugurado em 1961 com o nome de Santa Casa de Misericórdia. Rua Barão do Brio Branco, ao lado do Passeio Público.


Seminário da Prainha - Datado do século XIX, antigamente os seminaristas de todo o estado passavam os 2 últimos anos do seminário no Seminário da Prainha. Entre eles, o Padre Cícero. Fica no Cruzamento da Av. Dom Manuel com Av. Monsenhor Tabosa. Passou recentemente por restauração.


Teatro São José - Foi inaugurado em 1915, abriga o "Museu do Maracatu". Está protegido por Lei Municipal. Forma, junto com o Monumento ao Cristo Redentor e o Seminário da Prainha, importante conjunto arquitetônico. Localização: Praça Cristo Redentor, em frente ao Centro Cultural Dragão do Mar.


Cristo Redentor - Monumento construído pelo Círculo de Operários em 1922 em homenagem ao centenário da independência do Brasil. Situa-se na Praça Cristo Redentor, em Frente ao Centro Cultural Dragão do Mar e ao lado do Seminário da Prainha.


Alfândega - Antiga Receita Federal. Prédio reformado entre 1941 e 1945. Avenida Pessoa Anta, 287.


Mercado dos Pinhões - O Mercado dos Pinhões atual é na verdade apenas a metade do antigo Mercado do Ferro, inaugurado a 18 de abril de 1897. Fabricado na França, abrigava o mercado de carnes, que foi desmontado em 1938. Agora denominado Mercado das Artes, revela em si dias importantes iniciativas do resgate histórico: a restauração e conservação de um patrimônio arquitetônico e histórico da cidade. Praça Visconde de Pelotas, entrem as ruas Nogueira Acioly, Gonçalves Lêdo, Ten. Benévolo e Pereira Filgueiras.

Música

Belchior - Nascido em Sobral (1946), mudou-se para Fortaleza no início dos anos 60. Estudou Medicina, e ensinava Biologia no Colégio Júlia Jorge, no bairro São Gerardo. Abandonou a faculdade e mudou-se para São Paulo, onde começou sua carreira musical em 1971, com o lançamento do compacto "Na Hora do Almoço". Desde então lançou pelo menos mais 15 álbuns solo, tendo ainda várias parceiras musicais. Teve seus grandes sucessos interpretados por vários artistas da MPB, incluindo Elis Regina (Mucuripe e Como nossos pais), Vanusa (Paralelas) e Jair Rodrigues (Galos, noites e quintais), Engenheiros do Hawaii (Alucinação), Los Hermanos e Cidade Negra (A Palo Seco).

Calé Alencar - Fortalezense, criou-se em Juazeiro do Norte. Começou a carreia no fim dos anos 80, com os LP's "Estação do Trem Imaginário" e "Um pé em cada porto". Em meados dos anos 90, passou a se interessar pelo Maracatu, onde passou a atuar a partir de 1995. Compôs loas para os maracatus Az de Ouro, Nação Baobab, Vozes da África e em 2004, fundou o maracatu Nação Fortaleza, ao qual tem se dedicado. Desde então, lançou 5 discos com loas e hinos de maracatu, um dos quais está disponível em seu prórpio blog (http://www.semoara.blogspot.com/).




Ednardo - Nascido em Fortaleza, ganhou prestígio na carreira artística com o prêmio do Festival Nordestino da Música Brasileira (1970). Ednardo teve importantíssimo papel no cenário musical cearense, com grande contribuição para a promoção da cultura, musica e artistas do Ceará. Em 1979, em plena Ditadura Militar, foi protagonista do movimento Massafeira, que reuniu vários artistas cearenses, inclusive o poeta sertanejo Patativa do Assaré, no Teatro José de Alencar, onde foi gravado o disco homônimo. Sua música é conhecida em vários países. Possui 15 discos lançados, várias compilações, e ainda trilhas sonoras para cinema e teatro. Suas músicas foram regravadas por mais de 50 intérpretes, como Elba Ramalho, Ney Matogrosso, Amelinha, Nonato Luiz, dentre outros.

Fagner - Nascido no município de Orós, Fagner canta desde criança. Com apenas 5 anos recebeu sua primeira premiação, pela Ceará Rádio Clube. Começou a carreira musical em 1973, possuindo atualmente 28 álbuns. Possui parcerias com Chico Buarque, Belchior, Ney Matogrosso, Zé Ramalho, Dominguinhos, Gonzaguinha, Luiz Gonzaga, Patativa do Assaré, Zeca Baleiro, Cazuza, dentre outros. Site Oficial: http://www.fagner.com.br.




Irmãos Anicete - Os Irmãos Anicete formam uma das mais conhecidas Bandas Cabaçais do nordeste. De um modo geral, as bandas cabaçais são conjuntos musicais de percussão e sopro típicas dos sertões de Ceará, Paraíba e Pernambuco, especialmente na região do Cariri. São geralmente compostas por dois tambores, dois pífanos (pifes) e pratos orquestrais. Alguns estudiosos (e.g. Costa, 1999) acreditam que a tradição das bandas cabaçais nordestinas deriva de romarias portuguesas acompanhadas por música. No entanto, diferenciam-se delas pela musicalidade e por apresentar instrumentos de origem africana (zabumbas) e indígenas (pífanos). Essas bandas estão fortemente relacionadas com as tradições de Entronização e Renovação do Sagrado Coração de Jesus. A história dos Irmãos Anicete começou no Crato, no fim do século XIX, com José Lourenço da Silva, cujo apelido era "anicete". Ainda criança, José juntou-se a outros companheiros para apresentar sua banda cabaçal. José faceleu aos 104, mas deixou a semente em seus filhos, que desde pequenos, acompanhavam a confecção artesanal dos instrumentos e as apresentações do pai. Depois da morte do pai, os filhos, agricultores, continuaram a banda, usando o nome de "Irmãos Anicete". Mais recentemente, a banda recebeu integrantes de fora da família, mas ainda possui 2 filhos de José: Antônio e Raimundo. Além dos eventos religiosos da região do Cariri, os irmãos Anicete apresentam-se em vários eventos musicais e culturais em todo o Brasil.


Manassés de Souza - Natural de Maranguape, iniciou a carreira musical com apenas 12 anos de idade, com o Grupo "Dissonantes". Excelentíssimo instrumentista, toca violão, viola, bandolim, violão de 12 cordas, dentre outros instrumentos - Seu forte é a Música Instrumental. Com 17 anos foi com Rodger Rogério, Téti e outros músicos cearenses para São Paulo, em busca de oportunidades no cenário musical. Como músico de estúdio, tocou com Chico Buarque, Elba Ramalho, Fagner, Ednardo, Zé Ramalho, Nara Leão, Gal Costa, Moraes Moreira, dentre outros. Atualmente, em carreira solo, dedica-se principalmente à música instrumental. Seus discos podem ser encontrados na Livraria Oboé (Shoping Center Um).


Pessoal do Ceará - Ao contrário do que muitos pensam, "Pessoal do Ceará" não remete apenas a Ednardo, Rodger Rogério e Teti. "Pessoal do Ceará" é como ficou conhecida toda uma geração de músicos, cineastas e artistas fortalezenses que protagonizaram o cenário musical da cidade por volta dos anos 1970, dentre os quais se pode citar: Petrúcio Maia, Cirino, Fausto Nilo, Rodger Rogério, Téti, Ednardo, Fagner, Nonato Luiz, Belchior, Ricardo Bezerra, Dedé Evangelista, Francis Vale, Manassés, dentre outros. Muitos deles eram jovens vindos do interior do estado (Sobral, Quixeramobim, Quixadá) para estudar ou tentar a vida em Fortaleza. O Pessoal do Ceará tinha uma nova proposta musical, diferente da geração anterior (Lauro Maia, Humberto Teixeira, Quatro Azes e um Coringa, vocalistas tropicais, dentre outros). Em plena Ditadura Militar, encontraram na UFC um cenário musical e intelectualmente aberto para sua expressão musical. Participaram de vário festivais musicais, se aventuraram pelo Sudeste e lançaram o primeiro disco em 1972: "Meu corpo, minha embalagem, todo gasto na viagem". Alguns consagraram seus nomes na MPB, e passaram a seguir suas trajetórias independentemente (como Fagner, Belchior e Ednardo). Outros, como Fausto Nilo, Dedé Evangelista, Rodger dedicaram-se à formação acadêmica ou a outros ramos profissionais, voltando eventualmente a fazer parcerias musicais. Com sua atitude e suas composições originais, o Pessoal do Ceará teve importantíssima contribuição para a música cearense e mesmo para a MPB. Mesmo aqueles que não se dedicaram à vida artística propriamente dita, contribuíram de diversas outras formas, como Rodger Rogério, que foi um dos fundadores da rádio universitária FM 107,9, e Fagner, que dirigiu o selo "Epic" da gravador CBS, responsável pelo lançamento de Amelinha, Zé Ramalho e Robertinho do Recife no cenários musical brasileiro.


Quinteto Agreste - O grupo se formou em meados dos anos 70. Lançaram um compacto em 1980 e dois LP's: "Sol Maior" (1984) e "Pássaro de Luz" (1986). Em 2003, após 14 anos separados, Mário Mesquita, Tarcísio Lima e Arlindo Araújo re-estruturaram o conjunto e retomaram as atividades musicais com o CD "Caminhando Sempre", que possui regravações e musicas inéditas. Possuem estilo único, com arranjos elaborados e um incrível jogo de vozes, mesclando elementos da musicalidade e da cultura popular nordestina.


FONTES:

ALVAREZ, K. Calé Alencar - Personagem da Cultura Cearense, 2008. Disponível em http://musicadoceara.blogspot.com/2008/07/cal-alencar-personagem-da-cultura.html, Acesso em 12 Out. 2011.

COSTA, P.A.B. Anicete: Quando os índios dançam, Fortaleza: UFC, 1999, 124 p.

PIMENTEL, M. Terral de Sonhos: O cearense na Música Popular Brasileira, 2ª ed. Fortaleza: BNB, 2006, 204 p.

Portal do Maracatu Nação Fortaleza, Endereço: http://www.batoque.com/fortaleza, Acesso em 12 Out. 2011.

Portal Oficial de Ednardo. Disponível em http://www.ednardo.art.br, 1999. Acesso em 12 Out. 2011.

RÁDIO UNIVERSITÁRIA FM 107,9, Manassés, Entrevista em Áudio gravada em 2008, Disponível em http://www.oktiva.net/oktiva.net/2213/nota/99813, Acesso em 12 Out. 2011.

ROGÉRIO, P. Pessoal do Ceará: habitus e campo musical na década de 1970, Fortaleza: Edições UFC, 2008, 188 p.